O título de “Big Wave Maniac” pode soar a esteriótipo. Mas!, qualquer um que conheça o atirado surfista australiano Ross Clarke-Jones sabe que essa descrição não podia ser mais correcta.
O pináculo da colorida carreira de Ross, pelo menos a nível competitivo, foi sem dúvida a sua vitória no Quiksilver - In Memory of Eddie Aikau, no ano 2000.
O seu feito foi de tal ordem que quando segurou o seu cheque, rodeado pelos seus pares no pódio, não conteve as lágrimas. Os seus amigos mais próximos mostram alívio pela conquista. Ross tinha conseguido! Com a vitória no único evento que de facto reflecte as suas características enquanto surfista – duradouro, venerado e colossal a nível de carácter e coração - Ross asegurou a sua presença nos livros de História do Surf.
Foi em Waimea Bay que Ross viu sobre si incidida a atenção dos holofotes internacionais. Enquanto adolescente e com uma prancha emprestada, no Billabong Pro de 1987, Ross dropou meia-dúzia de ondas monstruosas num dia em que estava tão grande que dois surfistas recusaram abandonar a segurança da praia e outros dois quase morreram depois de terem sido apanhados por “rouge waves” que fecharam a Baía de ponta a ponta.
Por incrível que pareça, aquela foi também a primeira vez que Ross alguma vez surfou em Waimea.
Muitos anos mais tarde, um dos mais homens mais ricos da Austrália, o antigo magnata dos media e gigante do mundo editorial, Kerry Packer, “convocou” Ross para os seus escritórios de Sydney para o conhecer em pessoa e discutir a foto que estava em cima da sua mesa.
A foto era de Ross a surfar num dos maiores dias jamais registados no outside de Log Cabins, no Havai – um outer reef visível de Waimea Bay que só funciona quando o mar está absolutamente gigante.
Foi um momento estranho para eles dois, lembra-nos Ross. Dois pesos pesados, cada um no topo do seu jogo, simultaneamente reverenciados e temidos pelos seus pares mas respeitando-se pelos feitos de um e de outro no mundo de então.
Desde esse momento, Ross continuou a seguir o seu caminho – como expoente do tow-surf e surfando ondas no Japão, Tasmânia, Victoria do Sul, Nova Zelândia e Maui – onde quer que as tempestades quebrassem com mais força e nas condições mais radicais. E ainda teve tempo para surfar a “Pororoca”, uma onda de maré que surge no Rio Amazonas. Sobrevivendo, ironicamente, a uma onda de um metro que dificilmente seria registada pelas bóias oceânicas no Havai, quando o Quiksilver - In Memory of Eddie Aikau tem luz verde para arrancar.
Mas claro que não há crocodilos, piranhas e bichos microscópicos que colocam vidas em risco a flutuar em Waimea Bay...

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