Tom Carroll nasceu em Sydney, no subúrbio de Newport, na Austrália, onde ainda vive. Com oito anos ficou pela primeira vez em pé, numa pequena Coolite. Sob a influência de Col Smith, de Narrabeen, o pequeno goofyfooter foi rompendo pelo panorama amadora. Foi duas vezes campeão de New South Wales (Escolares de 1974 e Juniores de 1977) e duas vezes vencedor do prestigiante Pro Junior (1977 e 1980), juntando-se ao IPS World Cout em 1979. Desde o começo, há três denominadores comuns na história: condicionamento, versatilidade e lesões.
Depois de uma rápida ascensão – de 24º a 17º, depois para 9º – Carroll fixou-se no top cinco em 1982 e de lá não saiu até final da década. Atacou todas as condições possíveis com precisão e power, vencendo em ondas geradas por barcos em passagem, em 1983, no Wave Wizards na Florida e numa piscina em 1985, no World Inland Pro, na Pensilvânia. Por outro lado, dominou a World Cup de 1982, em Sunset com oito a dez pés. Enquanto Mark Richards ia saindo de cena, Carroll preencheu o vazio, vencendo três campeonatos consecutivos e tornando-se no primeiro goofy a vencer um títuo mundial. Repetiu o feito em 1984, negando um último esforço de Shaun Tomson na sua carreira e colocando o destino de Tom Curren em espera. Carroll venceu ainda o prémio norte-americano da Surfer Poll nesse ano, provando que era um surfista dos surfistas e uma escolha popular.
Em 1985, tomou uma posição contra a política de Apartheid da África do Sul, o que contribui para perder o seu título mundial para Curren. O boicoite de Carroll aos eventos na África do Sul estabeleceram-no como líder do pensamento livre que inspirou outros a juntarem-se à sua causa.
No final dos anos 80, enquanto lutava para voltar conquistar o ceptro perdido, Carroll tornou-se um reconhecido mestre no Havai. A sua supermacia em Pipeline, desde finalista na sua primeira tentativa em 1979, até aos três títulos de Pipe Master, preencheram o vazio entre Lopez e Kelly Slter. A sua primeira vitória, em 1987, foi repleta de pura emoção, tendo sido no dia seguinte ao do falecimento da sua irmã num acidente de automável. Em 1991, em Pipe com 8 a 12 pés, executou um dos mais incríveis late drops, seguido do mais pesado snap under-the-lip da história, para selar a sua supermacia na onda. Dominantes foram também as performances de Carroll em Sunset, Haleiwa, Rockpile e noutros outer reefs havaíanos.
Porém, ao longo da sua carreira, as lesões impediram-no sempre de atingir o seu potencial máximo. Começando por um corte com uma quilha que infectou, em 1978, em Bali, Carroll foi praguejado pelas mais variadas lesões: rutura do estomâgo em 1979, reconstrução do joelho em 1981, quilhas no traseiro em 1988, vários entorses nos ligamentos do tornozelo, problemas nas costas e uma concusão em 1996. O seu regime de treino rígido salvou a sua carreira no Circuito várias vezes.
Em 1988, quando apareceu pronto para reclamar o seu trono, Carroll ganhou o primeiro contrato de um milhão de dólares, com a Quiksilver. Uma descuidada interferência de remada em Pipe custou-lhe o título e um imenso revés. O Circuito era muito duro nos anos 80, com quase o dobro dos eventos de hoje em dia e Carroll sobreviveu sempre a essa dureza. Casou com a sua namorada de longa duração, Lisa, em 1991 e aos 30 anos voltou ao ao terceiro lugar nos rankings, antes de deixar a competição em 1993.
Ainda a viver em Newport, Carroll tem três filhas, Jenna, Mimi e Grace. A sua relação com a Quiksilver continua e ele trabalha agora com a equipa profissional da marca e em viagens pelo mundo, conduzindo estágios de competição. O seu surf, em ondas de consequência, continua a par dos melhores do mundo.
Durante os 14 anos de carreira de Carroll no Circuito, o australiano obteve 26 vitórias (sendo o terceiro com mais vitórias atrás de Curren e Slater), terminou no top cinco nove vezes – um recorde – e nunca deixou de ser o surfista mais poderoso da terra. Na arena mais desafiante do desporto, o Havai, não teve par, provando, com apenas 165cm, a velha máxima: não é o tamanho do cão na luta, é o tamanho da luta no cão. (Perfil escrito por Jason Bort, publicado no Surfline.com)

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